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Domingo, Maio 28, 2006

Motivo revelado

"Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir. O que confesso não tem importância, pois nada tem importância. Faço paisagens com o que sinto."

(Fernando Pessoa - O Livro do Desassossego)

Enviado por Cintia

Sexta-feira, Maio 26, 2006

Questionário interno

Tudo na vida está dando respostas
O que demora é o tempo das perguntas

(Saramago)

O espaço pras respostas ainda está vazio, meu bem. Permanece assim.
Alguma idéia? (Aceito sugestões)

Enviado por Cintia

Quinta-feira, Maio 25, 2006

De um encontro

Fechei os olhos momentaneamente, inclinei o corpo em direção à janela.
Tudo continua igual?
As pessoas lá fora andam apressadas, cada uma em seu mundo, silenciosamente com medo até de esbarrarem uma na outra - como se isso fosse provocar algum mal-estar que as encabularia, por demonstrar o quanto são distraídas e pouco preocupadas com o espaço que dividem. Talvez eu devesse esbarrar de propósito em alguma delas? Só para sorrindo olhar em seus olhos e implorar perdão: uma maneira de tirá-las de tanto automatismo, da idéia que o dia de hoje é igual ao de ontem e será igual ao de amanhã.
A moça trouxe o café e me perguntou algo que não compreendi. Mostrou um papel: a caligrafia familiar imediatamente me lembrou um nome e um rosto, e respondi por escrito: Meu filho teria nome de anjo. Esperei.

- Oi, minha protegida.
- Você demorou.
Havia um alegria disfarçada em minha voz.

Não nos havíamos visto nos últimos dois anos, e a sensação era de desconforto; estávamos em um lugar movimentado, formal, muito inapropriado para manifestações afetivas - o que nos obrigou a usar toda a força do olhar para nossa comunicação. Notei por seu rosto que estava mais pálido, e, embora o relógio do outro lado da avenida mostrasse que estávamos a 16 graus, ele vestia uma camisa mais adequada a dias de verão; enquanto isso, eu insistia, como a maioria, em vestir um casaco mais denso que a temperatura recomendava.
- Você está bonita.
Dei um meio sorriso e o convidei a sentar; eu ainda tinha meia hora de almoço, não precisava voltar de imediato. Ele hesitou.
- Estou de passagem.
- Nós todos estamos sempre de passagem - eu disse. - Espere um minuto.

Paguei o café e pedi que me acompanhasse. Ao abrir a porta, o ar frio da rua quase me fez mudar de opinião, pensei em voltar; mas ele segurou meu braço, num movimento muito leve, praticamente imperceptível.
- Eu soube de você - falou. - Todo o tempo estive perto, mas você preferiu não ligar, não dar uma notícia. Pensei que poderia querer me punir por algo que teria feito... Por ter tentado proteger demais. Excessos, mesmo que bem intencionados, são ruins.
Meu coração acelerou.
- Lembro de ter me dito para avisá-la quando estivesse se afastando, porque isso iria acontecer... Achava injusto oferecer minha mão e depois tirá-la; eu tentei, estava preocupado. Mas também sabia que você deveria notar primeiro, notar que meu amor era verdadeiro. Então apenas esperei, confiando que veria, com o tempo, as coisas como são.

Olhei para longe, para um tempo em que meus problemas eram muito mais por ignorar a realidade que por não saber contorná-la. E se tivesse sido diferente? Se eu não tivesse recusado a parte da vida que me era oferecida? Eu estava confusa com aquelas palavras.

- Obrigado por sua carta, por ter me dito o que houve, por me pedir algo que queria muito dividir; por me permitir gostar de você, oferecer meu apoio. Eu sei que você sabe se guiar sozinha; mas não está sozinha. Não aja como se estivesse.
- Eu estaria ferindo você, se pensasse assim?
Ele olhou para longe, soltou meu braço. Voltou-se para ir embora, mas antes resolveu entregar:
- Tem meu apoio, minha compreensão, e tudo o que mais quiser de mim.

Dez minutos ainda restavam, e caminhando voltei ao trabalho; procurando não pensar em nada, sentindo as novas gotas de chuva escorrerem por meu rosto - ou não eram de chuva? Não descobri, nem permiti que o fizessem. Aquele homem já tinha descoberto demais, e era o suficiente para o dia - dias e noites seguintes. Eu decidiria o que fazer. Saberia como encontrá-lo; mas quereria? Alguns riscos são derradeiros... Eu não me daria a chance de errar novamente.

(Dedicado a S.)

Enviado por Cintia

Domingo, Maio 21, 2006

Verdades

Você não precisa de nada disso. Não precisa que cuidem das suas feridas, que comentem as suas vitórias, que compreendam os seus fracassos. Você sabe que a vida vai adiante e não pede permissão, e que em sua taça caberá somente o que ela puder conter. Está na hora de parar de fingir que não sabe. Está na hora de parar de fingir que não é hora ainda - e correr o risco, e viver o medo do erro.

E eu vou estar lá para aparar a sua queda, segurá-lo nos braços, e em silêncio colher suas lágrimas, se existirem.

jukebox: Kelly Clarkson, Where is your heart?

Enviado por Cintia

Quinta-feira, Maio 11, 2006

Love story

Me deu um abraço e me disse que meu cabelo tem cheiro de morango, "tem sim". Eu sorri. Sorriso incógnita de quem não sabe se está fazendo - pensando? - a coisa certa. Eu queria mesmo é deitar naquele colo e com um silencioso olhar pedir que tocasse meus olhos fechados, até eu entender que tipo de amor faz alguém sentir perfumes diversos, como quem colore uma realidade insípida. Mas não fiz nada; ele continuou jogando meu cabelo como preferia - sobre meus ombros, sobre meu rosto, se divertindo e reparando em meus detalhes. Pediu um beijo e recusei, ia deixar marca de batom; ele disse que gostava, e insistiu. Sorri de novo, me despedindo; ir embora, antes que ficasse perigoso demais.

Enviado por Cintia

Segunda-feira, Maio 08, 2006

Intenção (equivocada) de esquiva

Quero colo
Vou fugir de casa
Posso dormir aqui
Com você?
Estou com medo
Tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três*

Eu procuro braços que possam me guardar do meu grande medo, meu bem.
(Eu procuro o impossível)

*Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá, Pais e Filhos

Enviado por Cintia

Quarta-feira, Maio 03, 2006

Despedida anunciada

Manhã. Tive aquele sonho que se repete, mas sem a sua mão pra segurar; por dentro, tudo continuou nublado como o céu lá fora - céu de outono, quase invernal. No peito aperta uma saudade indistinta, que ousaria pedir que se retirasse... Porque também sou uma pessoa normal; um emprego me aguarda, tarefas diárias; essa dor suave não continua, não. Não pode mais. Hora de levantar?
Eu me levanto e gostaria de olhar em seus olhos, procurar alguma ordem nunca estabelecida; um contato que me puxe à tona, que me faça respirar como antes - antes de ti? Antes da força que me arrastou a esse cotidiano, talvez. A segurança de uma rotina incontestada me soa tão irreal, é um jogo antigo do qual não entendo as regras; mas todos brincam animados com o que não me faz a menor diferença - não costumo entender brinquedos comuns, mania de querer o extraordinário e esperá-lo - como quem tenciona prenunciar um milagre que não chegará.

(...)

- O que você quer de mim?
- Que aprenda que cada vez é a primeira vez. Rotina é quando a acomodação entra por uma porta...
- E você decide sair pela outra?
- Exatamente.
- Então que você quer é grande demais para mim.

jukebox: Michelle Branch, All You Wanted

Enviado por Cintia

Verdade incômoda

"Não fale tanto sobre você, Cintia... Você tem um excelente currículo pra jogar isso pela janela."

É, meu amigo... As coisas são sempre mais complicadas do que parecem.
Então:

Ei, desliga não
Me deixa gastar mais o teu tempo
Me explica o que eu não entendo
*

jukebox: Isabella Taviani, Olhos de Escudo

Enviado por Cintia

Quinta-feira, Abril 27, 2006

Microconto: Pressa

Ok. Você acha que entende. Mas eu sou aquilo que você pode entender? Quando já não tenho o formato comum que antes conheceu - eu que me lapidei ao inverso, eu que me desenhei em vários. E você quer me traduzir e acomodar-se, está tudo bem, vamos esperar; mas esperar... o inesperado? Toda a intensidade está num inesperado. E no meio disso preciso suportar seu olhar de mormaço, mentindo uma paz que finge; futuro feliz de panelas fumegando, filhos correndo no quintal.

E se...?

(Porta batendo)

Enviado por Cintia

Terça-feira, Abril 18, 2006

Confesso

Eu não queria, não. Eu não queria lembrar daquele abraço, lágrimas presas na garganta, o amor calado que finge que dorme enquanto o mundo segue fingindo que está tudo bem. Mas em cansaço fechei os olhos e você apareceu: personagem da minha dor passada, a promessa frustrada de um castelo tão perfeito - à medida em que era imaginário e irrealizável. Nunca gostei de acreditar na ilusão de um mito, entende? Foi por isso que fugi. Mas fugi com um pedaço seu, e agora o tempo perdido me acha, exigindo o preço de devolvê-lo.
Pois foi o que roubei: o tempo de nós. Criei nossa maior falta; não vivemos o que era necessário. Não amamos o que era necessário, nem aprendemos a tocar as feridas do outro - que permaneceram abertas. Permanecem.
E em silêncio de sonho eu o abraço como quem se desculpa, sabendo que a vida que segue já está em outro capítulo; emendas não cabem mais, não estendem o que foi abruptamente cortado. Próxima página, eu e você desconhecendo nosso vazio em meio à fala cotidiana; adeus, precisamos ir... Não somos os mesmos, suplantamos a falta que nos fazemos pensando em nada, insulados no mundo comum. Assim fui delicadamente retirada da sua solidão? A parte destoante é retirada, porque não sustenta um significado.
Eu não fiz meu sentido para você entender, então ficamos ambos sem sentido - vagando livres, nos perdendo de nós. E o amor? Só uma palavra nunca dita; um nunca mais.

jukebox: Natasha Bedingfield, Stumble

Enviado por Cintia

Domingo, Abril 16, 2006

Constatação

"(...) amar é fácil. (...) difícil mesmo é demonstrar. O duro é sair dando amor sem saber se receberemos em troca doses equivalentes. Duro mesmo é sair pela vida jorrando carinho, em gestos, palavras e atitudes, sem antecipar a troca. Duro mesmo é virar adulto e perder de vista a criança que somos. Duro mesmo é ter coragem para mergulhar no vazio, deixar que o vento bata na cara e saborear o momento sem saber, ou se importar, com o que nos espera a seguir."
(Milly Lacombe, em artigo online da Revista TPM)

jukebox: Beu Sisters, Anytime You Need a Friend

Enviado por Cintia

Sexta-feira, Abril 14, 2006

Fatos reais

- Porque foi assim: eu tive um sonho... Ela estava lá, e eu ouvia sua voz. Como se ela estivesse ao telefone... Uma voz calma de quem não se exalta. Mas não era uma voz com palavras, era uma sensação. Porque ela não falava com palavras... Uma voz silenciosa. No silêncio eu sabia o que ela queria dizer.
- Perdemos para crescer, embora seja ruim. E dessa forma precisamos nos acostumar a reiniciar muitas vezes, de um novo ponto. É o sentido da transformação... Você precisa entender, Taiguara. Vai ser sempre assim.

Cabelos curtos e arruivados, uma aliança preta de plástico, um anel de vidro vermelho, em transparente dégradé. Mãos bonitas carregando sacola com livros. Ela, sentada num banco de ônibus, retira um deles e começa a folhear*, interessada, analisando a recente compra. Está acompanhada por um jovem rapaz alto de bermudas; ele também carregando livros. Muitos. Todos parecem antigos, a cor amarelada denuncia que sim; são usados. Trocam algumas frases supostamente místicas, falam em tranqüila voz baixa, como se não estivessem compartilhando da realidade tangível - o calor, o barulho, o movimento ziguezagueante do ônibus. Como se nada mais importasse.

- Na esquina da rua 1, moço, por favor...

Sei que nunca mais os verei.

Sei?

* O livro em questão é O leopardo é um animal delicado, de Marina Colasanti. Leia um trecho aqui

jukebox: Tori Amos, Silent All These Years

Enviado por Cintia

Domingo, Abril 09, 2006

Eclesiastes revisited

(Meu livro favorito, em forma de canção. Porque o tempo sempre foi um dos meus temas preferidos.)

Tudo neste mundo tem seu tempo
Cada coisa tem sua ocasião
Há tempo de nascer e tempo de morrer
Tempo de plantar e tempo de arrancar

Tempo de matar e tempo de curar
Tempo de derrubar e tempo de construir
Há tempo de ficar triste e tempo de se alegrar
Tempo de chorar e tempo de dançar

Tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las
Tempo de abraçar e tempo de afastar
Tempo de procurar e tempo de perder
Tempo de economizar e tempo de desperdiçar
Tempo de ficar calado e tempo de falar

Tudo é ilusão
É tudo como correr atrás do tempo

Pessoas nascem, pessoas morrerm
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O sol continua a nascer e a se pôr
e volta a seu lugar para começar tudo outra vez
O vento sopra para o sul, depois para o norte
Dá voltas e mais voltas e acaba no mesmo lugar
Todos os rios correm para o mar, porém o mar não fica cheio
A água volta para onde nascem outra vez
O que foi feito antes será feito novamente
Não há nada de novo neste mundo

(Fernanda Porto, Tempo pra Tudo)

Enviado por Cintia

Domingo, Abril 02, 2006

Interpretação da sorte

Olhar cansado de quem há muito caminha por desertos, sensação de que todas as palavras já foram ditas antes. Palavras vividas antes. Eu tenho saudade errada, reparo nas ausências que não importam mais; o dia nublado abre a caixa do tempo que foi - por que sinto que alguém devia me guiar agora pelos lugares a que chego sozinha?
Mas levada pelo braço por um acaso.
Nó na garganta, as coisas seriam tão mais simples se o silêncio não nos prejudicasse; eu queria apenas que as promessas tivessem sido cumpridas - então qualquer ventania poderia desmoronar meus alicerces: a lembrança de um apoio seria minha força em teoria.
Aprender a lidar com mudanças, a escrever em folhas em branco; o primeiro poema tem rima? Talvez só uma linha, ou uma interrogação. Reticências. O primeiro degrau da escada é minha incógnita preferida, pra que explicá-lo? Eu me desenrolo com meu enigma, e sei que no fim será um recomeço. Porém, no fim, surpresa saberei também que você sempre esteve lá, e me esperava - mas somente depois que aprendesse sozinha o que assim devia ser.

jukebox: Maria Mena, Miss You Love

Enviado por Cintia

Domingo, Março 26, 2006

Untitled

Beijei seu rosto e guardei
Achei sincero e sem dúvida
Era quase de manhã, era madrugada
A noite esconde a cidade, você some
Será que é cria da noite e eu não sei?
As horas cessaram naquela manhã que vem
E é outro dia
Será um desencontro e eu vou sozinha?
Ele não dá um sentimento
Será um jogo intenso que se anuncia
Ele ri e sabe o que faz?

(Vanessa da Mata, Longe Demais)

Enviado por Cintia

Domingo, Março 19, 2006

Inconstância

Me deixe entrar, por favor, eu não peço mais nem metade do seu tempo. Eu peço só aquele canto quietinho onde eu costumava apoiar a cabeça sobre a mesa, olhando o jardim cor-de-rosa, numa espera sem sonhos. Me deixe com a luz apagada e as lágrimas no rosto, me deixe saber como se aprende a suportar, ainda que para isso eu caminhe muito e com sede de respostas. Me deixe necessitar, e da necessidade criar algo maior - como descobrir que se pode prescindir das coisas.

Mas deixe que antes flua em água e sal o rio de mim

jukebox: India.Arie, Good Man

Enviado por Cintia

Quinta-feira, Março 16, 2006

Declaração

- Vou te levar pra casa nos meus braços...!

Se o rapaz que disse hoje a frase acima não tivesse 5 anos de idade, eu ficaria sinceramente preocupada.
(Rs)

jukebox: Norah Jones, Seven Years

Enviado por Cintia

Segunda-feira, Março 13, 2006

Dia seguinte

Te dei a pena da asa de um anjo
E os meus sonhos preferidos*

Sabe, eu vou vendo as casas enfileiradas que mais parecem de papel mal-cortado, tortas e inclinadas como se feitas por alguém que perde a direção de um desenho, e tento não me arrepender da noite anterior. Ladeiras infindas. Um sol de meio-dia já brilha às nove da manhã e derrete o suco gelificado dentro do saquinho que comprei logo ali, com uma senhora simpática; ela até me deixou usar seu telefone, quando eu disse que estava perdida - porém me ensinou errado o caminho de volta. Sorri para o nada, pensando que boas intenções não bastam.
E o tempo passando, passando.
Minha mão adocicada sobre o cabelo, suor pela nuca, agora uma estrada que também não termina. Peço nova ajuda; um vendedor me fala para continuar andando, e reparo nos pacotes pendurados sobre sua cabeça: biscoitos. Ouço a voz e olho para aqueles vermelhos e amarelos e azuis brilhantes, presos com pregadores de roupa numa espécie de varal. Os biscoitos estão secando? Nunca entendi por que assim são vendidos, mas também não fiz questão de perguntar. A voz do homem era interrompida por longas pausas, o que deu a impressão de que ele não prestava atenção no que dizia. Ou talvez prestasse atenção demais.
Resolvi dar meia-volta e cumprir outro compromisso.
Cruzo as pernas e apóio desconfortavelmente o cotovelo sobre elas, enquanto a menina de verdes olhos brilhantes me conta sobre seus hamsters. Tento me interessar pelo almoço, um certo bolo de chocolate com gosto de rum, mas só me concentro no rosto angelical à minha frente, imaginando que um dia sentirei vontade de ter uma criança assim - que goste de bichinhos, e me conte coisas absurdas como gaiolas vendidas a um real, quando na verdade custam uma pequena fortuna (saudades da irrealidade infantil que nunca tive, tão poeticamente necessária). Então levanto para ir embora, a menina vem e me abraça e pede para eu voltar no dia seguinte. Finjo que não me comovi.
(...)
Casa, enfim? Relógios marcam quatro da tarde. O vento batendo no rosto me dá a impressão boa de velocidade, as imagens passando na janela significam um mundo sendo deixado para trás: até a próxima semana. Enquanto a paisagem muda lá fora, eu me lembro do que queria esquecer, com o semblante sério de quem se repreende por dentro - sem notar motivos claros. Sensação de ter ido mais longe que o planejado? Mas eu nunca planejei muito bem. Quem sabe um banho frio me traga o conforto de uma boa saída, já que não tenho a chance de me entregar a mais uma noite, meu bem.
Ou talvez seja por isso mesmo. Talvez eu tenha entregado demais.

* Moska, Pra Não Dizer Que Não Te Dei Nada

jukebox: Joss Stone, Sleep Like a Child

Enviado por Cintia

Domingo, Março 12, 2006

Pseudo-literatura amorosa

Parar naquela janela e ver a chuva caindo. Uma música lenta toca no aparelho de som, lembrando vertigens, enquanto meu abraço procura o seu; por dentro, teço segredos que você não pode adivinhar, porque escorrem por entre seus dedos. Tenta tocar meu sorriso, mas num suspiro ele desvanece; e no momento seguinte... Um beijo. Um silêncio.
Daí em diante, só as gotas suaves sobre o jardim, aquele ar que anoitece. Nada mais.

jukebox: India.Arie, The Truth

Enviado por Cintia

Domingo, Março 05, 2006

Ternura

Eu me levanto, olho o dia nublado, você dormindo, e vou me esquecendo do que era a vida antes de nós.

jukebox: Ana Carolina, Trancado

Enviado por Cintia

On Player

Where is your heart?
'Cause I don't really feel you
Where is your heart?
What I really want is to believe you
Is it so hard
To give me what I need?
I want your heart to bleed
That's all I'm asking for
Oh, where is your heart?

I don't understand
Your love is so cold
It's always me who's reaching out
For your hand
And I've always dreamed
That love would be effortless
Like a petal fallin' to the ground
A dreamer followin' his dream

(letra completa aqui)

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